Arquitetura & Decoração

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Faça o que você não quer para conseguir o que você quer

Ouvi essa frase pela primeira vez enquanto assistia uma palestra do TED TALK. Minha curiosidade foi aguçada e não desgrudei os olhos do computador enquanto a palestrante Mel Robbins explicava porque o nosso cérebro busca automaticamente repetir ações, comportamentos, hábitos que lhe são comuns. É fácil viver no piloto automático, reproduzindo o que fazemos com facilidade, como o trajeto para o trabalho. Estamos sempre buscando o lugar de conforto e a ausência de risco (ainda que ilusória). Robbins vai além e aponta os riscos de dizermos com frequência que está tudo bem, quando não está nada bem.
A questão é exatamente o paradoxo por traz de tudo isso. É justamente a repetição de padrões de comportamento que nos impede de avançar, superar limitações, evitar erros já cometidos, descobrir novas formas de ser e de viver. Quando você está cheio de problemas e responde a um cumprimento dizendo “está tudo bem, seu cérebro entende exatamente isso e não faz o menor esforço para encontrar outro caminho.
Quando você faz somente o que domina, não sai do lugar.
Eu te pergunto: qual foi a última vez que você se desafiou e fez algo pela primeira vez?
Já adianto que não há conforto nisso. Fazer algo novo é por vezes arriscado, assustador, inseguro, é estar aberto ao fracasso e à incompreensão dos que estão a seu redor. O novo desperta questionamentos e uma inquietante falta de certezas. O normal é que sejamos questionados e não incentivados quando entramos numa nova empreitada.
Foi assim com minha recente decisão de passar a virada do ano percorrendo trilhas altamente desafiadoras, num local isolado, sem energia elétrica, sem celular e desprovido de qualquer facilidade material. O tanque, onde cada um lavava sua própria roupa, era improvisado numa pedra e os banheiros, afastados dos quartos, lembravam os da escola pública onde estudei o primário. Simples, muito simples. Ah, os alojamentos eram coletivos e a qualquer momento chegavam novas pessoas suadas, homens, mulheres, jovens, pessoas maduras, todos juntos e misturados.
Minha mente foi forçada a dar o start para a expansão ali, já nos primeiros minutos de Vale do Pati, na Chapada Diamantina, Bahia.
A cada sacrifício imposto ao meu corpo, a cada prática fora do meu cotidiano, o cérebro parecia querer dizer não! Imagine as caminhadas de 15km debaixo de um sol escaldante, com economia de água e um medo incontrolável de cobras?! Cada subida exaustiva, cada pedra escalada, anunciava um esforço ainda maior por vir. De repente a mente começa a brigar: o que estou fazendo nesse mato? Não tenho mais idade pra isso! Todos aqui são esportistas, por isso estão dando conta”. É a velha guerra entre os desafios e os diálogos internos. É a guerra do cérebro e das emoções para resistir ao que causa desconforto e dor.
Entre um arranhão e outro, vieram as bolhas nos pés e um cansaço tão grande que a passagem do ano foi celebrada com um brinde em copo plástico e uma cama às 8 da noite. Não houve fogos, vivas, abraços emocionados e promessas para 2018 mas, ouso dizer que foi a passagem de ano mais autêntica e autônoma da fase de vida adulta.
Vou desconsiderar os réveillons da infância, quando havia um prazer enorme em receber um novo ano como se, de fato, tudo se fizesse novo, até as chances de felicidade.
Quando deixei o Vale do Pati e deitei pela primeira vez em cama macia me lembrei do quanto precisei fazer o que não gostaria para enfim alcançar a satisfação interior que
experimentava naquele momento. Não fosse o desafio ao cérebro acomodado e aos caprichos do corpo, eu jamais teria visto os Mirantes que nunca esquecerei, não teria
conhecido pessoas tão interessantes de diversos cantos do mundo, não teria enfrentado o medo de animais peçonhentos, não teria feito as reflexões que fiz ao longo do caminho, não estaria mais autoconfiante e três kg mais magra (que delícia).
Foram quase 70 km de caminhadas e de transformação.
Hoje eu te pergunto: o que você não deseja e precisa fazer para evoluir?
O que está escondendo de si mesmo debaixo do tapete tentando dizer a si mesmo que está tudo bem?
Não espere o Vale para mudar!
Comece já… com pequenas atitudes…
Faça isso por você!
Mira Graçano | Coach de Comunicação

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Não, esse título não está equivocado!
É exatamente isso que quero dizer e esta frase demonstra um dos erros comuns que cometemos quando se trata de relacionamento humano.

Sempre trabalhei com informação. Mais precisamente, 26 anos buscando, produzindo e transmitindo informação através dos programas jornalísticos de rádios e televisões. Era uma loucura deliciosa investigar os fatos, correr atrás dos furos de notícias, acompanhar polícia, governos, artistas, gente de todo tipo, o tempo todo.

Confesso que não foi fácil. Não adianta mentir, fazer pose de bem resolvida, mulher madura consciente, a profissional experiente e todos os demais títulos possíveis para atenuar o fato…

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